quinta-feira, 1 de agosto de 2013

"Eu sou um aeroporto. Chegadas e partidas são a única certeza na minha vida." (Lucas S.)



Eu me arrependo da bebida e dos cigarros. As pessoas das noites frenéticas de sábados inconsequentes nunca preencheram o buraco no meu peito, nunca conhecerão a parte bonita que ainda tenho. O passado é negro, honey, e aqueles que fizeram parte dele não mais estão e eu convivo com isso. Dizer adeus foi necessário. E o adeus é menos árduo do que o perdoar. Foi bom assim, baby, tudo vem e tudo vai, tudo é fase – a dor, a felicidade, o amor, os amigos – tudo é instantâneo, nada é poupado.  

terça-feira, 30 de julho de 2013





Eu perdi a fé, perdi o sono, perdi o samba, perdi o isqueiro.
Fui perdendo coisas, honey.

E me livrando de algumas.   

sábado, 20 de julho de 2013

Calma, moça.


Hoje é mais um daqueles dias em que o céu acorda cinza, o sol escondido entre as nuvens tristes, parecendo combinar com o seu mau humor. A vida as vezes não significa muita coisa. Ela basicamente se resumi em um emprego que você não gosta muito, na vontade de cortar a garganta do seu chefe quando ele te dá muito no saco, na falta de amigos, no amor que tanto tarda, na sua família complicada. Eu não sei quem está por mim, não sei da existência de deus em meu caminho. Você acorda achando que és especial, que apontou um rumo na sua vida e que tudo tem seu tempo; mas você vai se desgastando, envelhecendo, caindo na real. E então você não sonha, vai definhando; aceita solenemente a visita da morte um dia, mas és tão jovem pra morrer, há tantos horizontes que seus olhos precisam fotografar, existe tanta gente maravilhosa, moça; não desiste assim, teu peito é de aço e aguenta apanhar. Não reclama do amor que não te deram, não se sinta injustiçada e não cobra lealdade a quem não sabe dá. Você é tão jovem pra morrer.  Existe tanta coisa bonita que a sua alma esconde que, um dia, alguém irá valorizar.  

quarta-feira, 17 de julho de 2013




Você sempre irá partir e eu vou chorar em todas as suas partidas. 
Depois de me oferecer seus olhos e a língua, você parte me dando um beijo no rosto. 
"Fica, por favor, fica" - grita o meu coração - 
Amar deve ser meio isso, né? Esgotar a cota de auto-humilhação diária.

terça-feira, 11 de junho de 2013

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Os olhos esfumaçando dramas
Negros como o breu da madrugada
Eu sei que existem galáxias inteiras em suas pupilas fundas.
Perco-me nelas.
São buracos negros gigantescos que ofuscam qualquer sinal de luz,
De vida.
Quanto pesa a escuridão que seus olhos carregam?
Provavelmente, mais do que eu possa suportar.
O teu céu me engoliu e agora não sei o caminho de volta.
O lado de cá é tão bonito quando chove,
O sol é tão bonito quando arde.
Canta alguma coisa bonita em meus ouvidos,
Canta!
O mundo parece que desarma quando te ouço.



terça-feira, 16 de abril de 2013

Também já fui brasileiro





Eu também já fui brasileiro

Moreno como vocês.

Ponteei viola, guiei forde

e aprendi na mesa dos bares

que o nacionalismo é uma virtude

Mas há uma hora em que os bares se fecham

e todas as virtudes se negam.




Eu também já fui poeta.

Bastava olhar para mulher,

pensava logo nas estrelas

e outros substantivos celestes.

Mas eram tantas, o céu tamanho,

minha poesia perturbou-se.



Eu também já tive meu ritmo.

Fazia isto, dizia aquilo.

E meus amigos me queriam,

meus inimigos me odiavam.

Eu irônico deslizava

satisfeito de ter meu ritmo.

Mas acabei confundindo tudo.

Hoje não deslizo mais não,

não sou irónico mais não,

não tenho ritmo mais não.


 De Alguma poesia (1930)

Carlos Drummond de Andrade