Eu me arrependo da bebida e dos
cigarros. As pessoas das noites frenéticas de sábados inconsequentes nunca
preencheram o buraco no meu peito, nunca conhecerão a parte bonita que ainda tenho.
O passado é negro, honey, e aqueles que fizeram parte dele não mais estão e eu
convivo com isso. Dizer adeus foi necessário. E o adeus é menos árduo do que o perdoar.
Foi bom assim, baby, tudo vem e tudo vai, tudo é fase – a dor, a felicidade, o
amor, os amigos – tudo é instantâneo, nada é poupado.
E as minhas piores dores são as palavras que não posso dizer.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
terça-feira, 30 de julho de 2013
sábado, 20 de julho de 2013
Calma, moça.
Hoje é mais um daqueles dias em que o céu acorda cinza, o
sol escondido entre as nuvens tristes, parecendo combinar com o seu mau humor.
A vida as vezes não significa muita coisa. Ela basicamente se resumi em um
emprego que você não gosta muito, na vontade de cortar a garganta do seu chefe
quando ele te dá muito no saco, na falta de amigos, no amor que tanto tarda, na
sua família complicada. Eu não sei quem está por mim, não sei da existência de
deus em meu caminho. Você acorda achando que és especial, que apontou um rumo
na sua vida e que tudo tem seu tempo; mas você vai se desgastando,
envelhecendo, caindo na real. E então você não sonha, vai definhando; aceita
solenemente a visita da morte um dia, mas és tão jovem pra morrer, há tantos
horizontes que seus olhos precisam fotografar, existe tanta gente maravilhosa,
moça; não desiste assim, teu peito é de aço e aguenta apanhar. Não reclama do
amor que não te deram, não se sinta injustiçada e não cobra lealdade a quem não
sabe dá. Você é tão jovem pra morrer.
Existe tanta coisa bonita que a sua alma esconde que, um dia, alguém irá
valorizar.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
terça-feira, 11 de junho de 2013
'
Os olhos esfumaçando dramas
Negros como o breu da
madrugada
Eu sei que existem
galáxias inteiras em suas pupilas fundas.
Perco-me nelas.
São buracos negros
gigantescos que ofuscam qualquer sinal de luz,
De vida.
Quanto pesa a
escuridão que seus olhos carregam?
Provavelmente, mais
do que eu possa suportar.
O teu céu me engoliu
e agora não sei o caminho de volta.
O lado de cá é tão
bonito quando chove,
O sol é tão bonito
quando arde.
Canta alguma coisa
bonita em meus ouvidos,
Canta!
O mundo parece que
desarma quando te ouço.
terça-feira, 16 de abril de 2013
Também já fui brasileiro
Eu também já fui brasileiro
Moreno como vocês.
Ponteei viola, guiei forde
e aprendi na mesa dos bares
que o nacionalismo é uma virtude
Mas há uma hora em que os bares se
fecham
e todas as virtudes se negam.
Eu também já fui poeta.
Bastava olhar para mulher,
pensava logo nas estrelas
e outros substantivos celestes.
Mas eram tantas, o céu tamanho,
minha poesia perturbou-se.
Eu também já tive meu ritmo.
Fazia isto, dizia aquilo.
E meus amigos me queriam,
meus inimigos me odiavam.
Eu irônico deslizava
satisfeito de ter meu ritmo.
Mas acabei confundindo tudo.
Hoje não deslizo mais não,
não sou irónico mais não,
não tenho ritmo mais não.
De Alguma poesia (1930)
Carlos Drummond de Andrade
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