sábado, 10 de agosto de 2013


O escuro da noite engole a minha sanidade e a vomita em outro universo paralelo. “A noite anoiteceu tudo”. Faz frio na cidade cinza, meus demônios despertaram, fumaça de cigarro paira sobre o meu particular inferno. Na esquerda do quarto, há um monstro de pelagem negra, em outrora, ele não era notável, mas lá estava, na espreita. Ele cresce, ele ganha força a cada dia (ou seria noite?). Não sei quais são tuas intenções, não há ataque, mas também não há cura. Que cê quer, Senhor Monstro? Pergunto sempre, quase aos sussurros. Nunca obtive respostas.

As madrugadas seguem assim, um silêncio turbulento, o breu do nada me mastiga violentamente. Atravesso o cômodo mais gélido da casa, puxo uma tragada mais forte do cigarro e encaro o espelho:

- Ih, olha lá, o monstro parece que mudou de lugar!                   

quarta-feira, 7 de agosto de 2013



Na maioria das vezes, passo sendo esta daqui a qual me tornei. Eu sou sozinha, baby, sozinha e louca. Temi tanto que esse dia chegasse, chorei potes por achar que a solidão é a pior das hipóteses que, agora, não dói. Não fui embora, não partiu das minhas mãos a traição e eu não lamento por nada. Tudo que tinha que ser chorado, já foi chorado, não há mais lágrimas para serem consumadas. Não há mais dor. Atravesso o quarto gélido com a mesma cara inchada de sono, mas os livros não são os mesmos, os filmes não são os mesmo, as musicas já não são mais as mesmas, honey; tudo morreu e, sobre os túmulos, surgiram flores tristes.  E das flores tristes, fiz o meu espetáculo.     

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

"Eu sou um aeroporto. Chegadas e partidas são a única certeza na minha vida." (Lucas S.)



Eu me arrependo da bebida e dos cigarros. As pessoas das noites frenéticas de sábados inconsequentes nunca preencheram o buraco no meu peito, nunca conhecerão a parte bonita que ainda tenho. O passado é negro, honey, e aqueles que fizeram parte dele não mais estão e eu convivo com isso. Dizer adeus foi necessário. E o adeus é menos árduo do que o perdoar. Foi bom assim, baby, tudo vem e tudo vai, tudo é fase – a dor, a felicidade, o amor, os amigos – tudo é instantâneo, nada é poupado.  

terça-feira, 30 de julho de 2013





Eu perdi a fé, perdi o sono, perdi o samba, perdi o isqueiro.
Fui perdendo coisas, honey.

E me livrando de algumas.   

sábado, 20 de julho de 2013

Calma, moça.


Hoje é mais um daqueles dias em que o céu acorda cinza, o sol escondido entre as nuvens tristes, parecendo combinar com o seu mau humor. A vida as vezes não significa muita coisa. Ela basicamente se resumi em um emprego que você não gosta muito, na vontade de cortar a garganta do seu chefe quando ele te dá muito no saco, na falta de amigos, no amor que tanto tarda, na sua família complicada. Eu não sei quem está por mim, não sei da existência de deus em meu caminho. Você acorda achando que és especial, que apontou um rumo na sua vida e que tudo tem seu tempo; mas você vai se desgastando, envelhecendo, caindo na real. E então você não sonha, vai definhando; aceita solenemente a visita da morte um dia, mas és tão jovem pra morrer, há tantos horizontes que seus olhos precisam fotografar, existe tanta gente maravilhosa, moça; não desiste assim, teu peito é de aço e aguenta apanhar. Não reclama do amor que não te deram, não se sinta injustiçada e não cobra lealdade a quem não sabe dá. Você é tão jovem pra morrer.  Existe tanta coisa bonita que a sua alma esconde que, um dia, alguém irá valorizar.  

quarta-feira, 17 de julho de 2013




Você sempre irá partir e eu vou chorar em todas as suas partidas. 
Depois de me oferecer seus olhos e a língua, você parte me dando um beijo no rosto. 
"Fica, por favor, fica" - grita o meu coração - 
Amar deve ser meio isso, né? Esgotar a cota de auto-humilhação diária.