quarta-feira, 17 de julho de 2013




Você sempre irá partir e eu vou chorar em todas as suas partidas. 
Depois de me oferecer seus olhos e a língua, você parte me dando um beijo no rosto. 
"Fica, por favor, fica" - grita o meu coração - 
Amar deve ser meio isso, né? Esgotar a cota de auto-humilhação diária.

terça-feira, 11 de junho de 2013

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Os olhos esfumaçando dramas
Negros como o breu da madrugada
Eu sei que existem galáxias inteiras em suas pupilas fundas.
Perco-me nelas.
São buracos negros gigantescos que ofuscam qualquer sinal de luz,
De vida.
Quanto pesa a escuridão que seus olhos carregam?
Provavelmente, mais do que eu possa suportar.
O teu céu me engoliu e agora não sei o caminho de volta.
O lado de cá é tão bonito quando chove,
O sol é tão bonito quando arde.
Canta alguma coisa bonita em meus ouvidos,
Canta!
O mundo parece que desarma quando te ouço.



terça-feira, 16 de abril de 2013

Também já fui brasileiro





Eu também já fui brasileiro

Moreno como vocês.

Ponteei viola, guiei forde

e aprendi na mesa dos bares

que o nacionalismo é uma virtude

Mas há uma hora em que os bares se fecham

e todas as virtudes se negam.




Eu também já fui poeta.

Bastava olhar para mulher,

pensava logo nas estrelas

e outros substantivos celestes.

Mas eram tantas, o céu tamanho,

minha poesia perturbou-se.



Eu também já tive meu ritmo.

Fazia isto, dizia aquilo.

E meus amigos me queriam,

meus inimigos me odiavam.

Eu irônico deslizava

satisfeito de ter meu ritmo.

Mas acabei confundindo tudo.

Hoje não deslizo mais não,

não sou irónico mais não,

não tenho ritmo mais não.


 De Alguma poesia (1930)

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Eu nunca desistiria de você, sabes disso. Te salvaria das profundezas mais infinitas do desespero, dos infernos mais fodidos, não me olha com esses olhos de quem não iria até a esquina por mim que, assim, me dá uma vontade súbita de suicídio. O diabo é que você adora o caos, a lama. Eu, nem tanto. Tive que acostumar-me na marra com alguns demônios e com a escrita sangrenta. Baby, só há dois cheiros invadindo o meu quarto, o primeiro é o odor envolvente da nicotina, o segundo é o meu predileto, seu cheiro que é, provavelmente, fruto da minha sórdida imaginação, pura miragem, holograma mais que perfeito. Em algumas vezes me atrevo a mergulhar em sua pupilas negras, quase sempre me afogo, são águas turvas e eu não tenho folego aos seus redemoinhos. Não sei nadar direito, meus braços são curtos e cansados, mas a coragem é grande, tão grande que beira a burrice.


As paredes observam todas as noites a minha insônia dolorida, e nessas noites de solidão são escritas cartas para um só destinatário: você, causador da minha cólera. Então elas choram comigo. Amor, eu não sei conviver com o caos. Não sei olhar pra ti e não sentir um puto nojo do seu caráter, do seu lirismo, logo em seguida  me odeio por amar-te desfreadamente, apesar da angustia.


Não me ofereça a boca se não estás a fim de me beijar. Não brinca e não briga comigo. Estou lhe pedindo colo, abaixei a guarda e humildemente te peço colo, amor. Não vês o meu desespero? Colo e um pouquinho do braço. Braços tão fortes e viris, prontos para abraçarem o mundo, menos a mim. Me leve pra qualquer lugar, não quero ficar em casa - meu quarto está doente - os móveis, o teto, paredes e janelas, todos adoeceram com excesso de loucura, de você. Deixa eu dormir - só por essa noite - em sua toca de leão selvagem. Hoje a selva parece um abismo sem fim e eu só encontrei consolo ao lado da fera.

                 

sábado, 22 de dezembro de 2012


Essa é mais uma carta típica retrospectiva-de-fim-de-ano, perdoa-me pelo clichê, honey. 365 dias é o tempo que leva para se sessar um ciclo, e assim, começar um outro novo. Doze meses se passam rápido e qualquer um pode se enjoar deles. Começo daqui os meus agradecimentos para isso que chamamos de Deus. Obrigada, Deus, por esse ano ter se findado. Obrigada pelo novo e pelos amigos. Obrigada por  ele ainda habitar o meu caminho, por mais que seja dolorosa à sua presença/ausência, agradeço. Obrigada pelas noites de cão, pelos cigarros e pela bebida barata. Obrigada pela dor e pelas cartas escritas a sangue. Obrigada por me fazer forte, Deus. Foi um ano da qual eu não sentirei meras saudades, mesmo tendo me arrancado sinceras gargalhadas. Foram 365 dias de noites ao léu. De muito álcool, bar e rock and roll. Meus dedos cheiram à nicotina e meu coração à nostalgia. Sem pedidos para 2013. Sem expectativas também. Na verdade, há dois anos o meu pedido ainda é o mesmo: Ele. Meninas más não recebem presentes, baby. Aprendi isso na marra. 


segunda-feira, 19 de novembro de 2012



Mas eu não bebo para afogar as mágoas, honey. Bebo para afogar os meus demônios. E eles estão por aqui, servindo de companhia ao pequeno monstro que criei. E todos eles estão aqui, baby. Bem aqui. Perto de mim. Longe do rústico monstro que criastes. Perto do completo abismo. Da solidão. Maldito seja o dia em que você enfiastes teu dedo podre na minha vida, e assim, bagunçando a órbita do meu mundo. Maldito seja o amor. - E eu te amo- . Amo, sabendo que isso me causa dor, porque não podemos amar o que nos destrói. E você me desata o caos. Você destila o teu veneno e eu gosto. Você fecha a porta do teu quarto e eu lhe abro as portas do meu coração. Dá para entender? Dá?! Não dá, porra, não dá. Porque você é essa incógnita. Esse soco no estomago. O estrago da vida. Fique bem, my little monster. A noite caiu, e é em meus braços que você adormece.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012


Dormi mal essa noite, honey. O dia hoje foi um cão dos infernos. A menina de preto chora por ter perdido o amor de sua vida. E eu choro, ao som de Amy, por nunca ter tido um amor. Por nunca ter conseguido amar, por nunca ter sido amada. E eu sou sozinha, baby. Eu sou sozinha e louca. Escrevo pra desconhecidos como você. Como eu. Como todos os outros. Meu humor está uma merda, minha tpm avançada e eu chorei oceanos hoje. Eu só preciso de um cigarro, baby. Um cigarro.