Eu mandei um aviso prévio, baby. E nele estava escrito: "Não entre. Não ousas entrar nesse vácuo de abismos que irá te engolir." Tudo em vão. Tudo em prol de sua desobediência e sua habilidade impar de fazer cagadas. Eu lhe disse que entrar em meu mundo era encrenca. Que a matéria negra do meu olho é de um material amaldiçoado e pervertido não podendo ser habitável a olhos nenhum, justamente por serem águas turvas. Ofereci-te minha virilha e você o coração, sabendo que não se pode jurar amor eterno a uma puta, e mesmo assim, o fez. Por quê tanta cagada, cara? Não vês a minha alma prostituta? Você tem cheiro de virgindade e eu sinto o medo pairando sobre ti. Tuas mãos juvenis e nada firmes nunca me fizeram sua, nunca me possuirão. Meus orgasmos sempre foram incompletos com você, meus sorrisos também. Não morra, não chora e não sinta medo, são só merdas que eu te falo pra poder te adubar. Vê se cresça e aprenda que tudo o que tenho a lhe oferecer é o gosto amargo do meu fel e o meu sexo tão vulgar. Ninguém desata o meu caos e há um monstro no espelho. Aprenda, caralho, aprenda que eu não preciso ser cuidada; já quis muito ser, agora, não mais. Desconta os teus descontroles em mim e me deixa roxa. Me bata, pois eu mereço. Me xinga dos piores nomes possíveis, pois sou. Me mande ao inferno, porque o demônio sou eu.
E as minhas piores dores são as palavras que não posso dizer.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
O demônio agora tem outro nome.
Eu mandei um aviso prévio, baby. E nele estava escrito: "Não entre. Não ousas entrar nesse vácuo de abismos que irá te engolir." Tudo em vão. Tudo em prol de sua desobediência e sua habilidade impar de fazer cagadas. Eu lhe disse que entrar em meu mundo era encrenca. Que a matéria negra do meu olho é de um material amaldiçoado e pervertido não podendo ser habitável a olhos nenhum, justamente por serem águas turvas. Ofereci-te minha virilha e você o coração, sabendo que não se pode jurar amor eterno a uma puta, e mesmo assim, o fez. Por quê tanta cagada, cara? Não vês a minha alma prostituta? Você tem cheiro de virgindade e eu sinto o medo pairando sobre ti. Tuas mãos juvenis e nada firmes nunca me fizeram sua, nunca me possuirão. Meus orgasmos sempre foram incompletos com você, meus sorrisos também. Não morra, não chora e não sinta medo, são só merdas que eu te falo pra poder te adubar. Vê se cresça e aprenda que tudo o que tenho a lhe oferecer é o gosto amargo do meu fel e o meu sexo tão vulgar. Ninguém desata o meu caos e há um monstro no espelho. Aprenda, caralho, aprenda que eu não preciso ser cuidada; já quis muito ser, agora, não mais. Desconta os teus descontroles em mim e me deixa roxa. Me bata, pois eu mereço. Me xinga dos piores nomes possíveis, pois sou. Me mande ao inferno, porque o demônio sou eu.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
E quem vai pagar o enterro e as flores?
olhar seus olhos negros
e sentir medo e angustia e tesão pelos mesmos.
um dia eles ainda me engolirão.
um dia toda a negritude que seus olhos carregam, hei de me
levar ao óbito.
enterrada a sete palmos de caos
Aqui jaz, Andressa.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
O último poema.
Tic-tac.
O relógio corre lento, esmagador
e triste.
Eu não sei quem está por mim.
Cristo não voltou, bombas atômicas existem
e Deus
está morto.
Tic-tac... Bang!
Ninguém ressuscitou no terceiro dia.
Honey,
sinto imensuravelmente, mas os suicidas tinham razão.
domingo, 10 de novembro de 2013
Você já se
perguntou que, talvez, eu não esteja aqui para sempre? Me beija e esqueça o que
não dá pra esquecer; resolva tudo na minha e na sua cama. Semana passada te vi
e você disse: “honey, não dá mais”, e minha vontade era pular em seus braços te
pedindo pra não me deixar. Não me deixa, eu não sei dizer adeus. Não vá embora
porque nunca ninguém ficou. Engulo tristeza pura, quando dedos alheios escorregam
sobre as minhas coxas frias; é só isso que eles conseguem enxergar em mim, baby:
uma bunda, um par de pernas, alguém pra trepar. É só isso que, talvez, você viu
em mim. Eu
poderia ter te amado bem mais, se tu tivesses deixado. Semana passada te vi, e
você disse que não dá mais.
domingo, 3 de novembro de 2013
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
domingo, 13 de outubro de 2013
demais
tão pouco
tão pouco
tão gordo
tão magro
ou ninguém.
tão magro
ou ninguém.
risos ou
lágrimas
lágrimas
odiosos
amantes
amantes
estranhos com faces como
cabeças de
tachinhas
cabeças de
tachinhas
exércitos correndo através
de ruas de sangue
brandindo garrafas de vinho
baionetando e fodendo
virgens.
de ruas de sangue
brandindo garrafas de vinho
baionetando e fodendo
virgens.
ou um velho num quarto barato
com uma fotografia de M. Monroe.
com uma fotografia de M. Monroe.
há tamanha solidão no mundo
que você pode vê-la no movimento lento dos
braços de um relógio.
que você pode vê-la no movimento lento dos
braços de um relógio.
pessoas tão cansadas
mutiladas
tanto pelo amor como pelo desamor.
mutiladas
tanto pelo amor como pelo desamor.
as pessoas simplesmente não são boas umas com as outras
cara a cara.
cara a cara.
os ricos não são bons para os ricos
os pobres não são bons para os pobres.
os pobres não são bons para os pobres.
estamos com medo.
nosso sistema educacional nos diz que
podemos ser todos
grandes vencedores.
podemos ser todos
grandes vencedores.
eles não nos contaram
a respeito das misérias
ou dos suicídios.
a respeito das misérias
ou dos suicídios.
ou do terror de uma pessoa
sofrendo sozinha
num lugar qualquer
sofrendo sozinha
num lugar qualquer
intocada
incomunicável
incomunicável
regando uma planta.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
suponho que nunca serão.
não peço para que sejam.
não peço para que sejam.
mas às vezes eu penso sobre
isso.
isso.
as contas dos rosários balançarão
as nuvens nublarão
e o assassino degolará a criança
como se desse uma mordida numa casquinha de sorvete.
as nuvens nublarão
e o assassino degolará a criança
como se desse uma mordida numa casquinha de sorvete.
demais
tão pouco
tão pouco
tão gordo
tão magro
ou ninguém
tão magro
ou ninguém
mais odiosos que amantes.
as pessoas não são boas umas com as outras.
talvez se elas fossem
nossas mortes não seriam tão tristes.
talvez se elas fossem
nossas mortes não seriam tão tristes.
enquanto isso eu olho para as jovens garotas
talos
flores do acaso.
talos
flores do acaso.
tem que haver um caminho.
com certeza deve haver um caminho sobre o qual ainda
não pensamos.
não pensamos.
quem colocou este cérebro dentro de mim?
ele chora
ele demanda
ele diz que há uma chance.
ele demanda
ele diz que há uma chance.
ele não dirá
“não”.
“não”.
Buk.
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