terça-feira, 24 de setembro de 2013





Não adianta forçar. Não adianta querer que saia o bom poema. A escrita simplesmente vem, ou não vem. É assim pra todos nós, miseráveis, que precisam dela pra achar um pouco de graça no inferno. Por dias andei entorpecida e vi beleza nos olhos tristes da moça no ônibus, e vi a lua beijando Vênus, e vi fumaça e caos impregnados no meu livro velho. E minhas lágrimas eram tão secas e frágeis, caiam cuidadosamente no chão frio do banheiro. “Chorando bem baixinho, bem baixinho, baby. Pra nem eu, nem Deus ouvir”. Não houve papel e caneta, tudo digerido e vomitado pra dentro. Era meia-noite no lado escuro da vida, e nada fazia sentido.


domingo, 22 de setembro de 2013



"E minhas próprias coisas eram tão más e tristes, como o dia em que nasci. A única diferença era que agora eu podia beber de vez em quando, apesar de nunca ser o suficiente. A bebida era a única coisa que não deixava o homem ficar se sentindo atordoado e inútil o tempo todo. Tudo mais te pinicando, te ferindo, despedaçando. E nada era interessante, nada. As pessoas eram limitadas e cuidadosas, todas iguais. E eu teria que viver com esses putos pelo resto de minha vida, pensava. Deus, eles todos tinham cus, e órgãos sexuais e suas bocas e seus sovacos. Eles cagavam e tagarelavam e eram tão inertes quanto bosta de cavalo. As garotas pareciam boas a distancia, o sol provocando transparências em seus vestidos, refletido em seus cabelos. Mas chegue perto e escute o que elas têm na cabeça sendo vomitado pelas suas bocas. Você ficava com vontade de cavar um buraco sobre um morro e ficar escondido com uma metralhadora." 

Buk. 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Nos embalos de um ônibus lotado, eis que me surge uma moça.



Moça dos olhos triste
Eu vi na tua solidão, combustível para a minha.
Moça, chorar não é feio.
Não há nada de errado com a dor.
Chora! deixa doer.
Um dia a chaga se cura
e toda desgraça,
 virará pó na memória.


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Estava pronta para xingar a Vida, afinal, eu estava parada em um ônibus lotado, um trânsito desgraçado e uma incontrolável vontade de mijar. Daí, olhei pra fora e vi, lá estava, a lua, linda e grande. Às vezes, só às vezes, a gente acha um pouco de paz no inferno.      

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

"Quando olho para mim mesmo, não gosto do que vejo. Mas quando olho para você, gosto muito menos. Os amigos desaparecem no momento exato em que você precisa deles. O mundo te machuca. As pessoas te empurram nas filas, dentro dos ônibus, nas esquinas. Tudo grita na sua cara que você não vale absolutamente nada. Quando olho para você, quando olho para mim, não posso evitar de pensar que o homem é apenas um animal que não deu muito certo."
Caio F.  

quarta-feira, 14 de agosto de 2013



Não volta pra ela hoje, volta pro inferno de nós.  Te aceito, te quero e o perdoou pelos 100 anos de solidão. Fica, dorme em meus abraços, braços que não sabem segurar um alguém, mas fica, "hoje a noite não tem luar".     

sábado, 10 de agosto de 2013


O escuro da noite engole a minha sanidade e a vomita em outro universo paralelo. “A noite anoiteceu tudo”. Faz frio na cidade cinza, meus demônios despertaram, fumaça de cigarro paira sobre o meu particular inferno. Na esquerda do quarto, há um monstro de pelagem negra, em outrora, ele não era notável, mas lá estava, na espreita. Ele cresce, ele ganha força a cada dia (ou seria noite?). Não sei quais são tuas intenções, não há ataque, mas também não há cura. Que cê quer, Senhor Monstro? Pergunto sempre, quase aos sussurros. Nunca obtive respostas.

As madrugadas seguem assim, um silêncio turbulento, o breu do nada me mastiga violentamente. Atravesso o cômodo mais gélido da casa, puxo uma tragada mais forte do cigarro e encaro o espelho:

- Ih, olha lá, o monstro parece que mudou de lugar!