você saiu pela mesma porta de emergência,
são os mesmos passos covardes e egoístas
de ir
embora.
e minhas lágrimas foram tão frias e salgadas, baby
oceanos jorrados da forma mais áspera e triste que há.
mas, honey
"se mil vezes você me deixar e voltar, eu aceito".
E as minhas piores dores são as palavras que não posso dizer.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
domingo, 13 de outubro de 2013
demais
tão pouco
tão pouco
tão gordo
tão magro
ou ninguém.
tão magro
ou ninguém.
risos ou
lágrimas
lágrimas
odiosos
amantes
amantes
estranhos com faces como
cabeças de
tachinhas
cabeças de
tachinhas
exércitos correndo através
de ruas de sangue
brandindo garrafas de vinho
baionetando e fodendo
virgens.
de ruas de sangue
brandindo garrafas de vinho
baionetando e fodendo
virgens.
ou um velho num quarto barato
com uma fotografia de M. Monroe.
com uma fotografia de M. Monroe.
há tamanha solidão no mundo
que você pode vê-la no movimento lento dos
braços de um relógio.
que você pode vê-la no movimento lento dos
braços de um relógio.
pessoas tão cansadas
mutiladas
tanto pelo amor como pelo desamor.
mutiladas
tanto pelo amor como pelo desamor.
as pessoas simplesmente não são boas umas com as outras
cara a cara.
cara a cara.
os ricos não são bons para os ricos
os pobres não são bons para os pobres.
os pobres não são bons para os pobres.
estamos com medo.
nosso sistema educacional nos diz que
podemos ser todos
grandes vencedores.
podemos ser todos
grandes vencedores.
eles não nos contaram
a respeito das misérias
ou dos suicídios.
a respeito das misérias
ou dos suicídios.
ou do terror de uma pessoa
sofrendo sozinha
num lugar qualquer
sofrendo sozinha
num lugar qualquer
intocada
incomunicável
incomunicável
regando uma planta.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
suponho que nunca serão.
não peço para que sejam.
não peço para que sejam.
mas às vezes eu penso sobre
isso.
isso.
as contas dos rosários balançarão
as nuvens nublarão
e o assassino degolará a criança
como se desse uma mordida numa casquinha de sorvete.
as nuvens nublarão
e o assassino degolará a criança
como se desse uma mordida numa casquinha de sorvete.
demais
tão pouco
tão pouco
tão gordo
tão magro
ou ninguém
tão magro
ou ninguém
mais odiosos que amantes.
as pessoas não são boas umas com as outras.
talvez se elas fossem
nossas mortes não seriam tão tristes.
talvez se elas fossem
nossas mortes não seriam tão tristes.
enquanto isso eu olho para as jovens garotas
talos
flores do acaso.
talos
flores do acaso.
tem que haver um caminho.
com certeza deve haver um caminho sobre o qual ainda
não pensamos.
não pensamos.
quem colocou este cérebro dentro de mim?
ele chora
ele demanda
ele diz que há uma chance.
ele demanda
ele diz que há uma chance.
ele não dirá
“não”.
“não”.
Buk.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Não adianta
forçar. Não adianta querer que saia o bom poema. A escrita simplesmente vem, ou
não vem. É assim pra todos nós, miseráveis, que precisam dela pra achar um
pouco de graça no inferno. Por dias andei entorpecida e vi beleza nos olhos
tristes da moça no ônibus, e vi a lua beijando Vênus, e vi fumaça e caos impregnados
no meu livro velho. E minhas lágrimas eram tão secas e frágeis, caiam
cuidadosamente no chão frio do banheiro. “Chorando bem baixinho, bem baixinho,
baby. Pra nem eu, nem Deus ouvir”. Não houve papel e caneta, tudo digerido e
vomitado pra dentro. Era
meia-noite no lado escuro da vida, e nada fazia sentido.
domingo, 22 de setembro de 2013
"E minhas próprias coisas
eram tão más e tristes, como o dia em que nasci. A única diferença era que
agora eu podia beber de vez em quando, apesar de nunca ser o suficiente. A
bebida era a única coisa que não deixava o homem ficar se sentindo atordoado e inútil
o tempo todo. Tudo mais te pinicando, te ferindo, despedaçando. E nada era
interessante, nada. As pessoas eram limitadas e cuidadosas, todas iguais. E eu
teria que viver com esses putos pelo resto de minha vida, pensava. Deus, eles
todos tinham cus, e órgãos sexuais e suas bocas e seus sovacos. Eles cagavam e
tagarelavam e eram tão inertes quanto bosta de cavalo. As garotas pareciam boas
a distancia, o sol provocando transparências em seus vestidos, refletido em
seus cabelos. Mas chegue perto e escute o que elas têm na cabeça sendo vomitado
pelas suas bocas. Você ficava com vontade de cavar um buraco sobre um morro e
ficar escondido com uma metralhadora."
Buk.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Nos embalos de um ônibus lotado, eis que me surge uma moça.
Eu vi na tua solidão, combustível para a minha.
Moça, chorar não é feio.
Não há nada de errado com a dor.
Chora! deixa doer.
Um dia a chaga se cura
e toda desgraça,
virará pó na memória.
e toda desgraça,
virará pó na memória.
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
"Quando olho para mim mesmo, não gosto do que vejo. Mas quando olho para você, gosto muito menos. Os amigos desaparecem no momento exato em que você precisa deles. O mundo te machuca. As pessoas te empurram nas filas, dentro dos ônibus, nas esquinas. Tudo grita na sua cara que você não vale absolutamente nada. Quando olho para você, quando olho para mim, não posso evitar de pensar que o homem é apenas um animal que não deu muito certo."
Caio F.
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